Conheça como funciona o pouso autônomo de aviões

EnglishPortugueseSpanish

Monomotores da aviação geral incorporam um sistema capaz de pousar o avião de forma autônoma em caso de incapacitação do piloto

Antigamente, um sistema de autoland era quase que exclusivo das aeronaves comerciais de grande porte. Com a evolução da tecnologia, muitas aeronaves da aviação de negócios passaram a ter esse sistema instalado, proporcionando uma versatilidade antes impensável aos seus usuários.

Recentemente os Piper M-600, Cirrus Vision Jet, Daher TBM-960 e o Honda Jet Elite II possuem o sistema Autonomi da Garmin. Esse sistema permite que, em caso de incapacitação do piloto, estas aeronaves prossigam o voo até o aeródromo conveniente mais próximo, onde possa ser feito um pouso seguro.

A operação ocorre de maneira inteiramente automática, sem intervenção humana alguma. O sistema não só controla a trajetória da aeronave, mas também realiza mudanças de configuração (abaixamento de flaps e trem de pouso), frenagem após o pouso até a parada total e posterior corte do motor.

Por enquanto, não é um sistema para ser usado em situações normais, apenas em emergências, mas a tecnologia tem evoluído e há boas chances de, no futuro, esse sistema (ou alguma versão mais sofisticada) possa vir a ser certificado para uso em situações em que não sejam de emergência. Será uma revolução que, além de aumentar a versatilidade, poderá vir a proporcionar substanciais ganhos de segurança de voo. 

A incapacitação do único piloto em uma aeronave de pequeno porte não é algo tão raro. Muitos acidentes da aviação geral, aparentemente inexplicáveis, ocorreram por esse motivo.

Em alguns raros casos, um passageiro conseguiu pousar, graças à ajuda de controladores de tráfego aéreo, boa dose de calma e muita sorte. Um recente episódio envolveu uma aeronave Cessna Caravan, na Flórida, nos Estados Unidos, onde um passageiro sem experiência em aviação conseguiu pousar em segurança a aeronave.

Além de contar com as excelentes características de pilotagem da linha Cessna, ele teve ajudas decisivas tanto do pessoal da torre de controle como de um instrutor que o orientou pelo rádio.

Há anos, o fabricante de aviônicos Garmin vem desenvolvendo soluções para aumentar a segurança de voo da aviação geral. Uma delas foi a criação do sistema Garmin Autonomi, que integra um conjunto de tecnologias:

  • ESP (Electronic Stability and Protection): atua nos servos do piloto automático e dá inputs nos comandos da aeronave sempre que é detectada uma condição potencialmente perigosa (alto ângulo de ataque, de inclinação, velocidade excessiva etc.) de modo a evitar uma perda de controle em voo. Esse sistema já foi avaliado em operação real pela AERO no ensaio do Diamond DA-62.
  • EDM (Emergency Descent Mode): detecta uma falha no sistema de pressurização, alerta a tripulação para iniciar uma descida de emergência e, no caso de incapacitação dos pilotos, inicia de forma automática uma descida para uma altitude segura na qual a tripulação e os passageiros possam recobrar a consciência.
  • Smart Rudder Bias: age nos comandos de voo em caso de falha de motor em um bimotor, ajudando o piloto a manter o controle da aeronave, especialmente em baixas velocidades. 
  • Smart Glide: no caso de falha de motor em um monomotor, o sistema entra em ação, identificando aeródromos dentro do alcance de planeio da aeronave e até pilotando a aeronave com a máxima eficiência, liberando o piloto para as tarefas de gerenciamento da situação, leitura de checklists para tentar religar o motor e comunicação com o ATC.

Fonte: Paulo Marcelo Soares / Aeromagazine

EFIS Avionics – Tudo sobre tecnologias embarcada no mercado aeronáutico.

Copyright © 2023. Todos os direitos reservados.